domingo, 4 de outubro de 2009

Situações


"Esta linda e inspirada canção do Grupo Logos dispensa qualquer comentário..."

♥Helena♥

A Dor do Abandono


É com lágrimas nos olhos que eu publico esta história. Como é triste quando percebemos que, ao contrário do que muitos pensam, essa realidade é mais comum do que gostaríamos. Que Deus tenha misericórdia de filhos assim.

Era uma manhã de Sol quente e céu azul quando o humilde caixão contendo um corpo sem vida foi baixado à sepultura. De quem se trata? Quase ninguém sabe. Muita gente acompanhando o féretro? Não. Apenas umas poucas pessoas. Ninguém chora. Ninguém sentirá a falta dela. Ninguém para dizer adeus ou até breve.
Logo depois que o corpo desocupou o quarto singelo do asilo, onde aquela mulher havia passado boa parte da sua vida, a moça responsável pela limpeza encontrou em uma gaveta ao lado da cama, algumas anotações. Eram anotações sobre a dor... Sobre a dor que alguém sentiu por ter sido abandonada pela família num lar para idosos... Talvez o sofrimento fosse muito maior, mas as palavras só permitem extravasar uma parte desse sentimento, grafado em algumas frases:
Onde andarão meus filhos? Aquelas crianças ridentes que embalei em meu colo, alimentei com meu leite, cuidei com tanto desvelo, onde estarão? Estarão tão ocupadas, talvez, que não possam me visitar, ao menos para dizer olá, mamãe? Ah! Se eles soubessem como é triste sentir a dor do abandono... A mais deprimente solidão... Se ao menos eu pudesse andar... Mas dependo das mãos generosas dessas moças que me levam todos os dias para tomar Sol no jardim... Jardim que já conheço como a palma da minha mão.
Os anos passam e meus filhos não entram por aquela porta, de braços abertos, para me envolver com carinho...
Os dias passam... e com eles a esperança se vai... No começo, a esperança me alimentava, ou eu a alimentava, não sei... Mas, agora... Como esquecer que fui esquecida?
Como engolir esse nó que teima em ficar em minha garganta, dia após dia? Todas as lágrimas que chorei não foram suficientes para desfazê-lo. Sinto que o crepúsculo desta existência se aproxima... Queria saber dos meus filhos... Dos meus netos... Será que ao menos se lembram de mim? A esperança, agora, parece estar atrelada aos minutos... Que a arrastam sem misericórdia... Para longe de mim.
Às vezes, em meus sonhos, vejo um lindo jardim... É um jardim diferente, que transcende os muros deste albergue e se abre em caminhos floridos que levam a outra realidade, onde braços afetuosos me esperam com amor e alegria... Mas, quando eu acordo, é a minha realidade que eu vejo... Que eu vivo... Que eu sinto...
Um dia alguém me disse que a vida não se acaba num túmulo escuro e silencioso... Que a vida continua após a morte, de uma outra forma... Mas com certeza a minha matéria, a minha mente, o meu eu dessa vida que vivo agora, com o nome que tenho... Nunca mais existirá! E quando a morte chegar, só restará a saudade que com o passar do tempo se ameniza... (Se é que alguém vai sentir saudade de mim, já que não sentem enquanto ainda estou viva neste asilo).
Sinto que a minha hora está chegando... Depois que eu partir, gostaria que alguém encontrasse essas minhas anotações e as divulgasse. E que elas pudessem tocar os corações dos filhos que internam seus pais em asilos, e jamais os visitam... Que eles possam saber um pouco sobre a dor de alguém que sente o que é ser abandonado.

♥Helena♥

Papai, você está ocupado?



Eu estava sentado em minha cadeira favorita, estudando para a fase final de meu doutorado, quando Sarah apareceu com uma pergunta:
- Papai, você quer ver meu desenho?
- Filha, papai está ocupado. Volte um pouco mais tarde, querida.

Eu estava ocupado.
O trabalho de uma semana inteira a ser feito em apenas um fim de semana.
Dez minutos depois ela entrou na sala.
- Papai, me deixa te mostrar o meu desenho.
- Minha filha, volte mais tarde. Isto que estou fazendo é importante.

Três minutos depois ela entra novamente, fica à um palmo de meu nariz e falou com todo o poder que um comandante de cinco anos de idade poderia conseguir:
- Você quer ver ou não?
- Não, eu não quero.

Com isso, ela zuniu pra fora e me deixou só.
E de alguma maneira, estando só naquele momento não estava tão satisfeito quanto pensei que ficaria.
Me senti como que puxado e fui até a porta da frente.
- Filha, - eu chamei - você poderia entrar um minuto, por favor?
Papai gostaria de ver o seu desenho.

Ela entrou sem reclamações e se atirou em meu colo.

Era um grande quadro.
Ela lhe deu até um título.
No alto, com sua melhor letra, estava escrito:
NOSSA FAMÍLIA.

- Me explique o quadro. Pedi à ela.
- Aqui é a Mamãe (uma figura de palito com cabelo longo, escuro, pouco ondulado), aqui sou eu, do lado de Mamãe (com um sorriso no rosto), aqui é Totó (nosso cachorro), e aqui é minha irmãzinha.

Era uma interessante apresentação da forma como ela via nossa família.

- Adorei seu desenho, querida.
Vou pendurar na parede da sala de jantar, e toda noite quando eu voltar pra casa eu vou olhar para ele.

Ela sorriu de orelha a orelha e foi brincar lá fora.
Voltei aos meus livros.
Mas por alguma razão eu mantive a leitura no mesmo parágrafo repetidamente.
Algo me deixava intranqüilo.
Algo sobre o desenho da minha filha.
Alguma coisa estava faltando.

Eu fui até a porta da frente.
- Filha, - eu chamei - você poderia voltar aqui dentro um minuto, por favor?
Eu quero olhar seu desenho novamente.

Sarah voltou ao meu colo.
Hoje, fecho meus olhos e posso ver exatamente o jeitinho dela.
Bochechas rosadas.
Rabo de cavalo, short vermelho e tênis.
Uma boneca de pano, chamada Nellie, debaixo do braço.
Eu fiz uma pergunta para minha pequena menina, mas não estava certo de querer ouvir a resposta.
- Querida... Tem a Mamãe, você, e sua irmãzinha. Até o Totó, que é um cachorro está no desenho.
E tem o sol, e a casa, e esquilos e pássaros.
Mas filha... onde está seu papai?
- Você está na biblioteca. Ela respondeu.

Com aquela declaração simples, minha pequena princesa parou o tempo para mim.
Erguendo-a suavemente, eu lhe mandei de volta para brincar ao sol de primavera.
Eu me afundei em minha cadeira com a cabeça girando.
A declaração simples da minha filha:
- Você está na biblioteca
- prendeu minha atenção por um bom tempo.

Pendurei o desenho na parede da sala de jantar conforme tinha prometido à minha menina.
E por aquelas longas semanas que antecederam a defesa de minha tese, eu encarei aquele retrato esclarecedor.
Finalmente terminei meu doutorado.
Agora eu era "Dr. Rosberg", e eu deveria ter me sentido muito bem.
Mas francamente não havia muita alegria em minha vida.

Uma noite depois da graduação, minha esposa e eu estávamos conversando na cama e eu lhe perguntei:
- Querida, obviamente você viu o desenho da nossa filha pendurado na parede da sala de jantar.
Por que você não disse nada?
- Porque eu sei o quanto feriu você.

Palavras de uma sábia mulher.
Àquele ponto, eu fiz a pergunta mais difícil de minha vida.
- Querida... Eu quero voltar pra casa. Posso?

Vinte segundos de silêncio se seguiram.
Parecia que eu prendia meu fôlego por mais de uma hora.
- Meu amor - minha esposa disse cuidadosamente
- as meninas e eu te amamos muito.
Nós o queremos em casa.
Mas você não esteve aqui.
Eu me senti como mãe e pai durante muito tempo.

As palavras impressas parecem frias, mas ela as disse com carinho e ternura.
Era apenas a verdade clara, sem disfarce.
Minha pequena menina tinha desenhado o quadro,e agora a mãe dela dizia as palavras.
Minha vida tinha sido descontrolada, minha família estava em piloto automático, e eu tinha uma longa estrada pela frente se quisesse as conquistar novamente.

Mas eu tinha que conseguir.
Agora que a névoa tinha se dissipado, se tornou o objetivo mais importante de minha vida.

♥Helena♥

sábado, 3 de outubro de 2009

Minha Mãe - Vovó Nita!

(Para ouvir a música, por favor clique no megafone, do lado esquerdo, na parte de cima do vídeo.)

Não seria certo homenagear o meu pai e deixar a minha mãe (avó dos meus filhos), de fora, não é? Além de que EU AMO OS DOIS MUITO MUITO!!!! Então abaixo, uma justa e merecida homenagem pra minha linda e sábia mamãe!

Falar sobre a minha mãe não é fácil, simplesmente porque sempre esperamos de uma mulher estudada o mínimo de educação e sabedoria, não é? Mas no caso da minha mãe, ela não teve oportunidade de frequentar nenhuma escola que a ensinasse a ler e escrever e dessa forma mostrar a educação adquirida nos bancos escolares, pois ela precisava ficar em casa, com os seus pais (meus avós), para ajudá-los nos trabalhos de plantio... e ela nos conta isso com orgulho pois, apesar de toda privação, ela adquiriu uma sabedoria que poucas mulheres, mesmo estudadas e mesmo após ser mães conseguem adquirir!!! E ela conseguiu sim, aprender a ler, depois de criar todos os filhos e após entregar sua vida a Jesus, através da Bíblia Sagrada, coisa que ela também fala com um brilho intenso no olhar, de tanta satisfação.

Mamãe é como uma leoa que não mede esforços para proteger e defender sua cria, a cada um dos filhos ela dedica amor e atenção de igual modo, e a cada dia sempre aprendemos uma lição com a sua vida. Costumamos dizer que, "do nada, ela cria algo, uma receita nova para nos alimentar!" E isso é verdade e o melhor de tudo é que fica uma delícia, tudo o que ela faz!!!

Nos últimos anos, tem sido uma luta grande, fisicamente e ainda mais emocionalmente, cuidando do meu pai, mas ela faz isso com uma força renovada a cada dia, força pedida ao Senhor Deus, porque ela sempre amou muito o meu pai e se sente feliz em poder cuidar bem dele; não existe nenhuma reclamação, nenhuma murmuração, nenhum lamento..., NÃO!!!! Ao contrário, ela recusa a simples idéia de ter que interná-lo, quando se faz necessário por conta do agravamento do quadro de saúde dele, ela fica em casa, mas fica orando, para que ele volte logo pra casa, são e salvo, para que ela volte a cuidar dele.

Agora ele se alimenta através de uma sonda, e ela sofre muito com isso..., podemos ver nas palavras dela, no seu olhar...

A minha mãe é uma mulher de Deus e sempre busca agradar ao Senhor. Quantas e quantas noites, pude observar a sua dedicação diária, nas suas orações pelas madrugadas, diante de um monte de fotografias de todos os filhos, e os filhos dos seus filhos (seus netos), e isso não é num dia especial e específico não, isso acontece TODOS OS DIAS, ou seja, TODAS AS MADRUGADAS... Além de cuidar o dia inteiro do meu pai, ela ainda consegue reunir forças para interceder por cada um de nós, seus nove filhos que hoje são adultos e já tem famílais construídas...

Não..., não tenho mais palavras que possam expressar o quanto eu admiro a minha mãe e o quanto eu a amo.

Só quero aqui, agradecer a Bom Deus, por nos permitir tê-la ao nosso lado e suplicar-lhE que nos conceda este privilégio por longos e sadios anos ainda, em Nome de Jesus.

Mamãe, é por amá-la, respeitá-la e honrá-la que, em nome dos demais filhos, eu e os seus netos (em nome dos demais netos), lhe pedimos, com toda reverência à senhora devida:

"Sua benção, mamãe!"
"Sua benção, Vovó Nita!"

Nós amamos muito a senhora!
Deus lhe abençoe com saúde, alegria e paz, hoje, amanhã e sempre!

♥Helena♥

Meu Pai - Vovô Victor!

(Para ouvir a música, por favor, clique no megafone que se encontra na parte de cima do lado esquerdo do vídeo.)

Homenagem ao meu pai (José Victor) em vida, pois homenagear a quem amamos depois que partem para sempre, não me parece algo sábio. Esta homenagem é apenas o resumo da homenagem que lhe prestamos a alguns anos através da gravação de um vídeo com a história de vida, dele e da minha mãe (Helena Rodrigues), que eles assistiram e até se emocionaram. A dádiva de ter os nossos pais sendo nós já adultos e com as nossas próprias família é uma benção sem tamanho. Que Deus nos conceda tamanho privilégio, pelo Seu Amor e infinita misericórdia, em Nome de Jesus!

José Victor é o meu pai e avô materno dos meus filhos!

Guardo boas recordações do meu pai, apesar de ainda tê-lo em vida pela graça e misericórdia do Senhor Deus.

Este vídeo, criado para homenageá-lo, mostra a sua imagem em fases distintas da sua/nossa vida.

Infelizmente o meu pai foi acometido pelo mal de Alzheimer, isso a mais de sete anos e sentimos afastar-se de nós lentamente, aos poucos, de forma cruel..., dolorosa..., apesar do seu coração pulsar dentro do peito, dos seus olhos abrirem-se e nos fitar, agora ele já não mais emite nenhum som, a sua voz calou-se e apenas a linguagem do olhar consegue fazer-nos entender o quanto ele ainda nos ama...

Papai, o senhor nos ensinou a maior de todas as lições, a de que, não importa as circunstâncias ou o desejo do nosso coração e do nosso egoísmo e vontade, acima de tudo isso, o casamento deve ser para sempre! É assim com o senhor e mamãe, desde o início, entre problemas, vendavais, tempestades e bonança, o exemplo de vida é deixado para nós, seus filhos e netos, como herança inestimável, incomparével, especialmente num mundo tão imediatista em que vivemos hoje, onde já se casam penando na possibilidade de um divórcio, isso é tão triste...
Por isso lhe dizemos: Obrigada Papai! Obrigada Vovô Victor! Nós amamos o amamos muito.

Me lembro de muitos dos nossos momentos em família, hoje a distância geográfica nos separa, papai, mas o meu coração não se esquece do senhor; essa doença traiçoeira que lhe rouba aos poucos a memória antes tão admirável e ágil, não tem nenhum poder de lhe roubar o amor que lhe dedicamos, todos nós, filhos e netos.

A minha oração é para que o Senhor Deus mantenha com vida, mesmo que de forma limitada como está, para que a nossa mãe seja preservada de um sofrimento desumano que seria uma separação definitiva agora, ela o ama tanto..., e também para que os nossos olhos se alegrem sempre todas as vezes que pousarem sobre o senhor e que os nossos lábios sempre possam falar, como falamos desde criancinhas: "Sua benção, papai"!

O amor que a mamãe lhe dedica é outra lição que aprendemos, um amor abnegado, que independe das circunstâncias ou do seu humor..., ela lhe ama e ponto!
Papai, agradecemos todos os dias ao Senhor, pela misericórdia de lhe permitir continuar conosco e cremos que por muitos anos ainda, se o Senhor Deus lhe permitir seguir os p0assos da sua mãe, a minha avó Ana Maria, que viveu até os 101 anos, o senhor ainda ficará alguns anos com a gente!

Isso me faz relembrar as palavras de uma das médicas que cuida do senhor, ela falou que, se não fosse tanto amor da família e tantos cuidados que mamãe tem om o senhor, certamente, internado em algum hospital, por melhor que fosse, já não estaria mais entre nós; isso fez a minha mãe se sentir elogiada e sabemos que é mais pura verdade - o amor tem o poder também de prolongar a existência humana!
Deus o abençoe papai.
Deus o abençoe Vovô Victor!

Apesar de todos nós, os seus nove filhos já termos crescido e construído nossas famílias, ainda trazemos em nós a reverência pelo senhor, papai, juntamente com todos os seus netos, novamente aqui, pedimos-lhe outra vez:

"Sua benção Papai!"
"Sua benção Vovô Víctor!"

♥Helena♥